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postado por Aurelia

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    Contents
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  3. Descendente – Starling Vol. 2 – Lesley Livingston
  4. Windows 7 pra neoniq dowlord

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Baseado em Uncharted, uma das séries de videogame mais aclamadas do mundo, O quarto labirinto é um livro com tanta ação e reviravoltas. PDF - Uncharted do mundo, O quarto labirinto é um livro com tanta ação e reviravoltas quanto as O PDF do primeiro capítulo ainda não está disponível. 14 de abr de Uncharted – O Quarto Labirinto Download em PDF. Filmes De Ação, Os Incriveis Filme, O Livro De Eli, Filmes Religiosos,. datarex.info Baixar Livro Coma - Robin Cook em PDF, ePub e Mobi. também amam estas ideias. Uncharted - An On the Island Novella - Tracey Garvis Graves -- (Chick Lit . PARA BAIXAR, CLIQUE AQUI .. Com este livro você vai ver a Turma da Mônica através de outros olhos, em uma belíssima homenagem aos 50 anos de.

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As suas referncias imediatas eram constitudas pelos ensinamentos ministrados nas escolas coloniais e, como tal, nenhuma novidade sobressai das anlises que elaboram, porquanto esto condicionados ao ponto de serem completamente acrticos em relao prpria viso escolar da realidade colonial GALLO, idem. Ora, no que concerne as prticas antropolgicas podemos, ento, aferir que o domnio colonial portugus se serviu de um aparato cultural cuja finalidade, ainda que tenha sido amide negada, era a de conhecer para melhor dominar.

O saber colonial portugus foi, apesar de todas as indelveis ligaes ideolgicas, directamente funcional para a gesto do poder nas pocas de crise e de transformao do modelo de controlo colonial. Gerou uma intelectualidade capaz de produzir anlises etno-antropolgicas passveis de apropriao para uso poltico sobre a populao dominada e de cariz propagandstico na metrpole.

O condicionamento dos produtores deste saber devia-se essencialmente ao seu cometimento com o sistema de domnio, numa de duas modalidades possveis: ou participando directamente nos aparatos coloniais ou dependendo deles para o financiamento das suas investigaes.

A presena destes mecanismos que submetiam a produo intelectual lusitana aos desgnios do imprio demonstra que em Portugal o poder geria exclusivamente para os seus fins a necessidade, a possibilidade e o uso do saber colonial GALLO, O autor avana ainda que, para alm de podermos com alguma propriedade aferir a existncia de uma antropologia colonial portuguesa, os aparatos coloniais deste colonialismo funcionaram semelhana dos de outras potncias coloniais, com as respectivas diferenas que emanam da.

A este propsito, tambm Rui Pereira, dez anos depois de Gallo, no prefcio que escreveu para a reedio do Macondes de Moambique de Jorge Dias, prope duas perspectivas diferentes, mas complementares, de encarar as relaes entre a Antropologia e a dominao colonial Ora, no caso da produo antropolgica colonial portuguesa ambos os ngulos de abordagem se afiguram pertinentes, visto que, por um lado as necessidades coloniais ditaram a problematizao cientfica como no caso da relao entre medies antropomtricas e a quantificao da fora de trabalho indgena , e, por outro, o levantamento etnogrfico de determinadas culturas, mesmo servindo um intento de dominao colonial, representou, nalguns casos, uma prestao acadmica e cientfica importante.

Em primeira instncia cumpre ressalvar as particularidades desta tese de final de curso, que a distanciam de outras consideradas num mesmo olhar por Donato Gallo. Se, por um lado, a presente tese se insere no perodo considerado e surge na poca da. Decorrendo, alis, destas circunstncias particulares acresce ainda o facto da dissertao sobre o comportamento dos mandingas provir simplesmente da conexo de elementos bebidos em fontes de vrias origens sendo, portanto, uma elaborao terica desprovida de trabalho de campo.

Sobre o autor pouco se conseguiu averiguar, donde se infere a sua relativa marginalidade face a autores de destaque das cincias sociais comprometidas com o projecto colonial da poca.

Sabe-se, contudo que a motivao para a realizao desta tese parte de uma lgica estatutria visto que o autor, diplomado com o curso superior colonial, aspirava atravs dela obter a equivalncia ao grau de licenciatura em Cincias Sociais e Poltica Ultramarina, algo que se lhe tornou possvel, desde que apresentasse uma dissertao, depois da reforma de Invoca, a este respeito, a hostilidade que os diplomados da Escola Superior Colonial sentiram, durante muito tempo no ambiente ultramarino e, se nos cingirmos apenas ao ambiente metropolitano, poderemos concluir que, se no havia hostilidade, notava-se, pelo menos indiferena MARQUES, II.

As sucessivas reformas que foram reconfigurando uma Escola Superior Colonial em ISCSPU trouxeram consigo, medida que os cursos se ajustavam s realidades coloniais e se subdividiam para melhor se especializarem, a instaurao de hierarquias estatutrias entre os antigos e novos alunos de cursos com uma origem comum. O autor, consciente dessa realidade, confessa a mgoa de, em funo dos seus deveres profissionais metropolitanos Chefe de repartio do ensino liceal absorventes at ao esgotamento, no ter podido frequentar o curso de Altos Estudos do reformulado ISCSPU.

A escolha do tema tambm, no mnimo, curiosa dado que a Guin na poca parecia no dar as mesmas preocupaes que as outras colnias ao governo portugus, assuno retirada por Gallo a partir do reduzido nmero de teses, entre , que sobre esta colnia versavam No entanto, Ferreira Marques justifica a sua opo temtica espacial por ser a Guin a nossa provncia ultramarina mais atingida pelo desvairamento negro da presente hora, donde escrever sobre ela serviria para, ainda que modestamente, a defender MARQUES, III.

Ainda, a. Para o confirmar, lana mo de uma descrio da poca, atribuda a Duarte Pacheco Pereira, sem, contudo, a referenciar. Esta inexactido de fontes e inferncias tericas pouco documentadas e actualizadas vai percorrer todo o contedo da dissertao, facto ainda mais preocupante visto que apenas de conexes tericas que este se constitui.

Mas o que interessa reter primeira vista so simultaneamente as possibilidades eversivas do povo mandinga, ameaadoras para o domnio portugus, como veremos adiante, e o pleno clima de confiana nos portugueses, portanto, de mtua compreenso que norteou as relaes entre povo colonizador e colonizado MARQUES, IV.

Apesar da manifesta ausncia de pertinentes referncias bibliogrficas no texto, o autor faz no prefcio um elogio da excelncia das obras em que se apoiou, fazendo especial meno reduzida bibliografia de autores portugueses, muitos destes ligados ao C. Os agradecimentos, dirigidos aos Drs.

Antnio Carreira, Fernando Rogado Quintino e ao Centro de Antropobiologia e Centro de Antropologia Cultural, ajudam, tendo em conta o que se disse no captulo anterior, na compreenso do tipo de antropologia que se tentou pr em prtica neste estudo dos mandingas, e na decifrao das referncias mais imediatas de um autor, que so tambm as de uma escola, isto , do ISCSPU. Cabe ressalvar tambm a presena, no prefcio, de uma temtica que s no final da tese comeamos a compreender do que realmente se trata; Marques refere-se a frica como o alvo da curiosidade mundial institudo pelo desejo de desvendar o seu mistrio e a pretenso de civilizar as suas gentes, misso que est agora polarizada na decifrao do enigma economico-politico suscitado pelas reivindicaes que nela pululam, criadas pelas correntes ideolgicas ou s aparentemente ideolgicas que se aliceram na finalidade, encoberta ou politicamente declarada, do dio ao branco MARQUES, V.

Esta temtica ser esclarecida atempadamente no decurso da anlise da tese, por enquanto interessa analisar, passo a passo, os diversos captulos que a constituem. Comeando por um relato, que se pretende histrico, da formao do grupo tnico, Marques invoca a Doutrina de Monroe, que afirma a posio dos Estados Unidos contra o colonialismo europeu, para refutar aos sudaneses a sua qualidade de autctones da frica.

Numa lgica um pouco travessa Marques pretende deslegitimar esta pertena que, perturbando a apropriao colonial de povos e territrios, tem o seu revs de benefcio para os sudaneses visto que, assim, se podem superiorizar face ao atraso dos verdadeiros autctones: os negrilhos. A apario dos mandingas d-se pela mestiagem entre autctones, negros ocenicos da segunda invaso, e brancos do mediterrneo.

Destes cruzamentos conjugados s duas vagas de invaso de massas semitas, em adiantado estado de civilizao, nascem os sarakols ou soninks. Inicialmente feiticistas, este grupo subdivide-se, com a expanso do islamismo, conforme a converso; os no convertidos permanecem com a designao de soninks ou sarakols enquanto os convertidos passam a nomear-se mandingas, nome que provm da regio do Mandn, considerada como a sua ptria.

Em meados do sculo XIII e sacudido o jugo dos Almoravidas, que sucederam ao desmembramento do imprio de Kumbi, a parcela convertida dos soninks, os Mandingas constituem o seu imprio, o imprio do Mandn. Mas este imprio acaba por sucumbir no despontar do sculo XV, seguindo-se a tomada do centro de frica pelos rabes, e a consequente expanso do islamismo.

O acolhimento desta orda islmica no foi de todo unnime. De facto, com o Norte de frica dominado pelos rabes e as populaes subjugadas, aqueles que resistiam foram impelidos a rumar a Sul. E foi dessas massas fugidias que se formaram os grupos tnicos que envolveram a Guin Portuguesa. A chegada dos mandingas Guin portuguesa, difcil de precisar em termos temporais, foi, todavia, anterior dos fulas-pretos feiticistas, e os primeiros, depois de estabelecidos, trataram de formar um grande estado que no se concretizou devido.

Aquando da fixao dos fulas, o grupo mandinga exigiu-lhes uma elevada tributao de ocupao de territrio que lhes valeria grandes dissabores futuros. Com o aumento das massas de fulas-pretos a fixar-se na Guin, estes, fingindo-se convertidos ao islamismo, uniram-se aos futa-fulas para se libertarem do domnio mandinga.

Iniciou-se uma guerra sangrenta donde os mandingas saem vencidos dando origem tirania dos Fula-Pretos e tentativa de islamizao dos dominados. Estes, impotentes, suportam a tirania e revelam diferentes posturas face islamizao: uns convertem-se, outros entram num sistema religioso misto e, ainda, outros revelam uma certa renitncia: nos renitentes que se encontra a grande massa que no final do sculo XIX e nos primeiros anos do sculo XX deram trabalho s autoridades portuguesas para receber o sopro de Cristianizao que sempre foi timbre de Portugal, ao contactar com os povos de todas as latitudes MARQUES, O primeiro grande captulo da tese sobre o comportamento dos Mandingas dedicado aos caracteres somticos desta etnia, elaborados num texto praticamente telegrfico que desvela a adeso a uma anlise antropomtrica dos povos, eivada de ideias de determinao biolgica de tipo racial esgrimidas enquanto discurso cientfico.

O intuito de anlises assim esboadas era o de garantir a preservao da diferena e, no seu estudo por meios antropolgicos reproduzir hierarquicamente a desigualdade, e com isto assegurar a preservao do imprio THOMAZ, Segundo uma chave interpretativa baseada no pressuposto de que a diferena fsica se manifesta tambm enquanto diferena mental, Marques comea pela anlise da estatura, elemento indispensvel classificao dos vrios grupos da humanidade.

Antnio de Almeida, todos baseados em clculos da mdia de uma srie de mensuraes, reconstruindo assim a homogeneidade atravs de uma abstraco. Os mandingas so considerados por Marques, tendo como base as anteriores teorias cientficas, como povo de alta estatura.

Para o atestar recorre a Antnio Carreira, Mandingas da Guin Portuguesa, onde este administrador colonial e antroplogo ligado ao Centro de Estudos da Guin Portuguesa, encontra valores mdios elevados para os mandingas do sexo masculino e estaturas pequenas em indivduos do sexo feminino.

Deste modo permite-se afirmar que esta diferena est absolutamente de acordo com a teoria cientfica de que, nos grupos humanos, a estatura do homem sempre maior do que a da mulher, e o valor dessa diferena oscila, segundo Eugene Pittard, Les Races et lHistoire, entre 9 e 12 cm.

Recorrendo a textos apodados de uma cientificidade duvidosa e, mesmo poca, j de certo modo datados, Marques vai forjando um entendimento antropolgico dos mandingas, enquadrado por uma cincia das raas que, remetendo obviamente para Mendes Corra, v a base desta noo na somatologia. Continuando a percorrer os caracteres que definiam o conceito abstracto de raa, o ndice ceflico figurava como outro dos elementos cientficos encontrados para a classificao dos grupos humanos.

A diviso em dolicocfalos e braquicfalos, no isenta de polmica j na altura de realizao da tese, espelha uma adeso a teorias de superioridade racial que pretendiam inferir do afastamento entre estdios de civilizao dos povos. Quanto aos mandingas, como negros que so, so dolicocfalos na sua maior percentagem mas, nas observaes de A.

Carreirra e Emlia de Oliveira Mateus, esta ltima no quadro da misso antropolgica da Guin em , surgem tambm as outras categorias ceflicas. Baseando-se em Broca e Deniker, Marques vai estabelecer uma equivalncia entre a cor da pele do mandinga e as escalas cromticas propostas pelos anteriores autores: a cor da pele dos mandingas corresponde ao ltimo destes tipos [preto], mas a negrura varia em intensidade, ao sabor dos cruzamentos havidos no decorrer do tempo MARQUES, 22 Paul Broca, na poca director da escola de antropologia de Paris, realizara estudos tributrios de um darwinismo social que pretendiam determinar biologicamente a imagem do negro colocando-o entre o homem e o macaco GALLO, Deniker insere-se igualmente nesta linhagem de autores que pretendiam.

A face, ou o ngulo facial considerado, invocando-se novamente teorias cientficas que neste caso no possuem referncia, como outro dos indicadores do grau de intelecto. Assim, quanto maior a abertura do ngulo maior a superioridade intelectual, imputando-se aos negros, e logo aos mandingas, um prognatismo que correlaciona tipos morfolgicos e atributos intelectuais. Para o ndice nasal sucede o mesmo processo de mensurao e de construo de equivalncias automticas, porm no to evidentes.

No caso dos mandingas o autor afirma apenas que estes so platirrinios, sem especificar se em virtude desta qualidade se podem tirar concluses sobre a sua condio intelectual. Sobre a boca, olhos, cabelo, vista e ouvidos as informaes so escassas e inconclusivas, meras descries que, falta de apreciao presencial, o autor reproduziu de descries lidas.

Relativamente aos caracteres psicolgicos, as caractersticas so elencadas de forma breve e generalizadora, criando esse quadro de homogeneidade to precioso no delinear de estratgias de dominao colonial. Os estudos deste tipo aspiram a discriminar e analisar primeiramente, e atravs da antropometria, as caractersticas morfolgicas de um dado tipo, e, depois, biotipologicamente, isto , nas suas caractersticas funcionais de maneira a determinar os tipos constitucionais mais frequentes em cada um deles e, portanto, as modalidades mais caractersticas da sua fisiopsicologia RAMOS, A psicologia do mandinga caracterizar-se-ia, segundo concluses tiradas por pessoas que, pelo seu aturado contacto com os nossos mandingas, e pelo poder de observao demonstrado noutros trabalhos, nos merecem confiana MARQUES, 25 , pelo sentimentalismo, pacifismo, adaptao, honradez, sentido artstico, ironia e superstio.

Esta ltima, que acompanha todos os actos da vida do mandinga e, segundo A. Carreira, resume a sua ideia religiosa, fortemente vincada durante a descrio dos seus comportamentos na vida e na morte, como apangio do seu estdio inferior de civilizao.

Ora, os mandingas seriam ento, pelo seu pacifismo e capacidade de adaptao, uma etnia particularmente dcil na aceitao do jugo colonialista portugus, no fora a proximidade de fontes subversivas e as doses avultadas de superstio que lhes estrutura o quotidiano.

Ademais, o seu carcter adaptativo pode ser encarado como ameaa a este mesmo domnio uma vez.

Partindo agora para uma anlise do discurso sobre o comportamento mandinga, verificamos, desde logo, uma estratgia dbia de afirmao das caractersticas positivas e ao mesmo tempo, da incivilidade desta etnia, que incapaz de se autodeterminar, justificava o domnio portugus, assente sobre as bases da tolerncia religiosa e cultural que caracterizariam a obra portuguesa no mundo THOMAZ, De facto, o autor refere-se frequentemente s sociedades evoludas como contraponto de comportamentos supersticiosos que descreve: salvas as devidas distncias, o mesmo processo que, nas sociedades evoludas, empregam as criadas, contando histrias de lobisomens aos filhos famlia, como forma de os terem em sossego [algo que] nos povos atrasados ainda desculpvel porque obedece ao esprito supersticioso que eles tm MARQUES, Sintoma da falta de cientificidade das descries de Marques, que recordemos, no so mais do que reformulaes das originais, so tambm os juzos de valor, o tom jocoso, e as comparaes desniveladas que elabora: referindo-se a uma cerimnia de entronizao ao papel de mdico mandinga, Marques classifica de exortao pattica as palavras dirigidas pelo Almami padre muulmano ao novo profissional e, sobre a proteco das casas de mulheres, adverte que os atrevidos so talvez em percentagem igual ou maior do que nas sociedades evoludas.

Quando fala da casa mandinga f-lo de forma flagrantemente etnocntrica. Refere-se-lhe como um tegrio, arrecadao, aprisco, por ela pouca ou nenhuma diferena fazer da que serve para recolher animais. Casa, para o autor, no onde se habita, -lhe exigido mais que isso; para que tal receba esse apelido preciso ser um stio a que ns [civilizados] associamos a ideia de conforto, de segurana e de condies higinicas MARQUES, Perante tal cenrio clama, com notria indignao, pela intensificao da construo, com a maior urgncia, de habitaes dignas de serem ocupadas pelo ser humano que o mandinga!.

No querendo alongar-me na enumerao de mais exemplos desta parcialidade de anlise, justifica-se referir ainda as representaes reveladas relativamente produo artstica mandinga. Se numa altura Marques lhes reala o sentido artstico, noutra usa-o para imputar primitivismo: tm alguma originalidade,. Noutra zona do texto faz-se a apologia da influncia da civilizao portuguesa na mudana comportamental dos mandingas: Pela evoluo por que tem passado o mandinga no contacto com a nossa civilizao, nota-se hoje uma acentuada relutncia das vivas em aceitarem a unio com os cunhados MARQUES, Apreciaes de carcter tico que desvalorizam as particularidades culturais de determinado povo, num processo que mediu pela bitola portuguesa todos os comportamentos que no se coadunavam com a mentalidade colonialista e autoritria do Estado Novo.

Neste aspecto particular se revelam as fraquezas de uma tolerncia caracterstica do portugus, porquanto esta s faz sentido numa determinada e bem restrita organizao social dos significados. S estando profundamente imbudo de uma crena na real superioridade de um povo sobre outro, se pode classificar aspectos da vida mandinga como actos do mais puro barbarismo.

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O que deveria estar em causa numa anlise etnogrfica, ou prxima dela, so menos juzos ticos sobre a vida dos povos em questo, do que, e j tendo presente a especificidade antropolgica da poca, uma descrio detalhada das caractersticas fundamentais de dada etnia. Voltamos a assistir a resqucios de uma tese sobre a inferioridade das raas quando se aborda a questo das actividades desportivas. Marques esclarece, a dada altura, que o desenvolvimento intelectual do mandinga encontrou muito cedo o seu termo, o que o leva a fugir de tudo o que exija esforos mentais MARQUES, Ora, no sabemos o que o leva ou em que documento se apoia para assumir tal coisa, mas este darwinismo social manifesto em produes que se queriam antropolgicas, serviu ao regime para se posicionar discursivamente acima de qualquer negro, tido como objectivamente inferior.

Este etnocentrismo e paternalismo explcito nas produes antropolgicas portuguesas era ainda de maior funcionalidade em perodos em que se temia a turbulncia das lutas de libertao nas colnias. A ocupao europeia de frica enfatizada por Marques como sinnimo de pacificao, e como tal de civilizao e progresso: tornando possvel a movimentao. A aco lenta e pertinaz da colonizao dos europeus, a sua boa vontade sempre enfatizada nas consideraes de Marques, principalmente quando se toca no aspecto poltico e religioso da etnia mandinga.

Em termos religiosos, afirma, baseandose numa autoridade em assuntos da Guin Teixeira da Mota , que os mandingas se distribuem por duas formas religiosas principais: o animismo, na zona litoral e a norte do canal do Geba, e islamizao, nas zonas de transio e do interior. A histria da submisso mandinga ao domnio fula reverteu-se num predomnio acentuado do islamismo nestas duas etnias, porm, sabe-se que h catlicos civilizados de raa negra MARQUES, Alegando a fragilidade da organizao poltica mandinga, revelada no rpido desmembramento do seu imprio e na submisso ao domnio fula depois da batalha de Turu-b, Marques aproveita para inserir mais uma das suas consideraes propagandsticas da benevolncia lusitana, ao afirmar que se no fora a interveno das autoridades portuguesas, adoando a prepotncia dos dominadores [fulas], mais afincadamente sentiriam o erro encerrado na modalidade da sua organizao poltica MARQUES, A isto parece seguir logicamente um sentimento de dvida, de afeio pelo bom colonizador, incompatvel com a srie de correntes ideolgicas que promovem o dio ao branco.

Numa aluso clara ao pan-africanismo, que foi perdendo terreno com a emergncia do nacionalismo africano, Marques revela-se preocupado com a srie de movimentos eversivos que, sob a gide de reivindicaes religiosas ou nacionalistas tm provocado uma agitao negra quasi total. J na poca dos relatrios confidenciais de que nos fala Gallo, existia uma ateno particularmente interessada em defender os interesses do colonialismo portugus, postos em crise pelas tentativas de intromisso do capitalismo internacional.

Os movimentos religiosos eram nos relatrios retratados atravs de uma imagem em que reinava a incivilidade, e esta s poderia ser superada atravs da converso ao catolicismo. De forma consentnea, vemos em. Marques uma mesma postura; este ltimo diz mesmo que os negros foram sempre propensos continuao de sociedades secretas, e as conexes ideolgicas destas com os movimentos eversivos do poder colonial f-lo recear as hipteses de contaminao dos mandingas: a situao geogrfica de cada povo tem uma importncia capital na determinao da maior ou menor facilidade de impregnao.

Este precisamente o caso dos povos da Guin portuguesa e, logo, dos prprios Mandingas, razo que faz o autor discorrer sobre as caractersticas especiais e nicas do sistema de Portugal contactar com os povos que civilizou e que permitem esperar deles reconhecimento e gratido.

No entanto, a proximidade de repblicas recm-nascidas pe os povos que nela habitam na iminncia de serem influenciados pelas novas doutrinas do continente MARQUES, idem. Com o intuito de deixar clara a dvida dos mandingas para com o civilizador portugus, enceta uma reviso da histria poltica dos mandingas, na qual, como j foi dito, o colonizador portugus, adooua prepotncia dos fulas, colocando a salvo os elementos mandingas: parece lgico admitir a existncia de uma dvida de gratido por parte dos mandingas da nossa Guin para com Portugal, e, assim, admitir-se tambm a dificuldade da sua absoro pelas correntes de independncia que volitam em seu redor MARQUES, Mas, e no tom de alerta que faz desta tese um justo sucessor dos relatrios confidenciais, o autor faz especial meno a outras circunstncias que podem subverter o rumo lgico dos processos de manuteno do imprio, tal como avanado anteriormente.

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Na verdade, a disperso dos mandingas pelas terras do Mali, Gmbia, Senegal, Sudo, Repblica da Guin e do Gana, sabido como que no Mali e na Republica do Gana se agitam com mais intensidade as doutrinas de emancipao do continente negro, torna possvel admitir a existncia de uma profunda impregnao dessas doutrinas que ameaam o domnio colonial portugus na Guin.

A simples existncia deste plo atractivo no pode pr-se de lado e, mais uma vez reificando o etnocentrismo e paternalismo que o guiaram durante toda a tese, o autor adverte para a necessidade de se lhe dar maior nfase quando o atrado no atingiu o grau cultural que lhe permitiria discernir com equilbrio. O equilbrio aqui corporizado na perpetuao da dominao colonial portuguesa, em nome de um sentimento de gratido que, ainda.

A forma como se finaliza esta tese a expresso mais finalizada do propsito ltimo que levou sua elaborao.

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Numa passagem que se assemelha a uma prece, eivada de um cariz religioso e de forte carcter ideolgico, Ferreira Marques apela aos Cus para que guie no sentido certo um imprio que j era na poca uma forma colonial em vias de extino: No entanto, porque neste momento nos acode imaginao a Cruz de Cristo, dominando, bem de alto a estrada percorrida por mais de quatro sculos por uma Nao que teve sempre como principal determinante da sua expanso no mundo a conquista de almas e no a de territrios, encerramos esta dissertao na esperana de que Essa ser a fora que neutralizar todas as foras contrrias.

Tratou-se neste documento, indelevelmente revelador de uma ligao entre o saber antropolgico e a ideologia colonial portuguesa, de por um lado valorizar os usos e costumes nativos e transform-los em riqueza de Portugal, e por outro de opor a sua incivilidade tolerncia que sobre ela, no suposto respeito por esses mesmos costumes, os portugueses alimentavam. Procurava-se dessa forma perpetuar o imprio e a sua estrutura hierrquica e, assim, garantir, no gradualismo da transfuso das almas, a prpria existncia da nao portuguesa nos quatro cantos do mundo THOMAZ, No obstante o que se tentou demonstrar nestas pginas, muito ainda ficou por dizer, numerosos autores de destaque por convocar e uma histria do saber etnolgico da Guin por recordar.

Mas, apesar de se estar a analisar em primeira-mo material intocado, luz de uma antropologia que no j aquela dos tempos coloniais, o volume de informao que poderamos cruzar no espao deste ensaio extrapola. Prximas oportunidades de repensar estas questes surgiro, e outros estudos podero, a partir de abordagens como esta, ser iniciados, contemplando aspectos que, embora associados e pertinentes, em virtude de constrangimentos de dimenso no puderam aqui ser desenvolvidos.

Nas primeiras dcadas do sculo XX em Portugal tanto a cincia como o poder estatal pretendiam contribuir para o progresso da nao. Assistiu-se ento procura de afirmao da superioridade biolgica e racial dos portugueses.

Era necessrio afastar os incapazes ou mais fracos, pois esses constituam uma ameaa. Uma das formas de garantir a pureza racial era atravs da eugenia, influente nos EUA e na Europa. Tal projecto de purificao procurava garantir o poder e a soberania dos portugueses e alguns cientistas fundamentaram os perigos da mestiagem daqueles com as populaes autctones dos territrios ultramarinos.

Com este estudo pretendemos contribuir para uma melhor compreenso das sociedades contemporneas e para uma reflexo sobre a histria das ideias e do colonialismo portugus. Palavras-chave: raa, eugenia, miscigenao, imprio, nao. Num contexto pr-darwiniano, as espcies eram consideradas imutveis e os membros de cada uma delas eram detentores de uma essncia que os diferenciava de todas as outras.

Associadas a esta lgica, surgiram noes como pureza da raa e, neste sentido, a miscigenao seria nefasta, pois contaminaria a essncia que se julgava existir e se devia preservar.

Posteriormente, inspirado nas teorias populacionais. Este trabalho foi realizado com o apoio da Fundao para a Cincia e a Tecnologia. Agradeo aos colegas que fizeram parte deste painel e aos que participaram no debate final, pelo seu incentivo e pelo espao de reflexo que ali foi possvel criar.

Segundo ele, as espcies no eram imutveis e evoluam gradualmente; a seleco natural actuava no sentido da preservao das diferenas e variaes favorveis e da eliminao das variaes nocivas Darwin []: 84 , ou seja, os seres mais bem adaptados viviam durante mais tempo e deixavam uma maior descendncia. Ainda durante o sculo XIX, e paralelamente ao evolucionismo, emergiu a eugenia, uma prtica que procurava alcanar a melhoria das qualidades fsicas e morais de geraes futuras, principalmente pelo controle social dos matrimnios.

O termo eugenia eu - boa, genus - gerao foi criado em pelo britnico Francis Galton , primo direito de Darwin. Em , na obra Hereditary genius, Galton procura provar, atravs de um mtodo estatstico e genealgico, que a capacidade humana era influenciada pela hereditariedade e no pelo meio e sugere as proibies dos casamentos inter-raciais, tendo em vista um aperfeioamento das populaes e a eliminao de caractersticas indesejveis. Inspira-se no darwinismo para elaborar em , na obra Inquires into Human Faculty and its development, a teoria eugnica de aperfeioamento da raa humana.

No entanto, segundo o prprio, o processo darwiniano de seleco natural j no operava sob as condies de uma vida civilizada e, por isso, era necessrio intervir activamente no desenvolvimento do homem.

Galton 4 inspirou-se ainda nas descobertas de Gregor Mendel 5 , um monge checo, conhecido como o fundador da gentica. Ao transferir o resultado das descobertas de Mendel acerca do cruzamento de ervilhas para os humanos, Galton considerou necessrio procurar manter as raas puras.

Segundo Malthus, autor do Ensaio sobre o Princpio da Populao , a populao cresce em proporo geomtrica 1, 2, 4, 8, Malthus no defendia a ajuda aos mais necessitados, pois tal no permitia a actuao da seleco natural que eliminava os mais fracos.

Alguns eugenistas interpretaram estas experincias de um modo que reconhecia as ervilhas de casca enrugada como uma degenerao e no como uma variao gentica apenas , pondo assim em causa a reproduo daquela espcie.

A eugenia veio a suscitar o interesse de cientistas, mdicos, especialistas legais e higienistas mentais. Por outro lado, levantaram-se questes relativas miscigenao, pois esta permitiria obter combinaes incontrolveis.

Alguns tericos defenderam que as raas inferiores ficariam favorecidas, mas as superiores sairiam desfavorecidas, tendo como resultado a sua degenerescncia. Para impedi-la promoveu-se a segregao de alguns grupos, o isolamento dos inferiores e at a sua exterminao.

No contexto portugus de finais do sculo XIX, uma grande parte dos autores da gerao de debruou-se sobre a constatao do atraso portugus de ento comparado com os feitos hericos nacionais que ocorreram nos sculos XV e XVI, por um lado, e com os avanos tcnicos, econmicos e polticos das naes mais progressivas da Europa, por outro.

Nesta altura, a ideia de nao estava no centro das preocupaes dos intelectuais Mattoso Alguns autores vo ento procurar encontrar uma matriz rcica para explicar a decadncia de finais do sculo XIX Sobral Porm, a palavra raa tinha ainda, como observou Jos Manuel Sobral, o sentido unitrio mas polissmico e ambguo de nao idem, p.

Tefilo Braga , por exemplo, tomou a literatura como expresso ou produto do meio social e do gnio nacional para, a partir dela, deduzir os caracteres de uma raa fundadora portuguesa Matos Na obra O povo portugus nos seus costumes, crenas e tradies , T.

Braga concluiu que os portugueses resultaram da mistura de vrios grupos e tal era um exemplo de superioridade. Por seu turno, tanto para Antero de Quental, como para Oliveira Martins, a nao portuguesa, destituda de uma base tnica individualizada, resultou da vontade poltica e das instituies e no de uma raa entendida como um tipo nacional Matos J Leite de Vasconcelos reconheceu que os portugueses resultaram da mistura de vrios povos e, inclusivamente, algumas zonas do pas, como Alccer do Sal, tinham uma influncia africana evidente Vasconcelos Outros, como Alexandre Herculano na sua Histria de Portugal, reconheceram a influncia rabe.

Nos incios do sculo XX, o mdico e antroplogo Mendes Corra, num texto de , reconhece os traos flagrantes deixados pelo germano, minora a influncia dos semitas e no se refere a uma possvel influncia dos habitantes da frica sub-sahariana. Nessa mesma altura, os integralistas lusitanos, como Antnio Sardinha em O valor da raa , nem a existncia de sangue rabe consideravam.

Foi neste contexto tambm que, no sentido de salvar a populao portuguesa e manter genuinidade do carcter dos portugueses, comearam a surgir propostas de medidas de higiene, assistncia social, promoo e proibio de casamentos. Por outro lado, sentiu-se a necessidade de realar a hegemonia de uma nao colonial afastando elementos que pudessem sugerir degenerescncia ou hibridao. Em , M. Corra intervm no Congresso Nacional de Medicina defendendo que o desfalque humano suscitado pela emigrao, assim como pela mortalidade, pela tuberculose e pela ilegitimidade das crianas conduzia necessidade de tomar medidas eugnicas.

Nesse sentido referiu que era urgente Para M. Corra, a inaptido bio-social era um fenmeno constitucional-germinal e, portanto, hereditrio, no sendo pois muito eficazes os meios higienistas. Corra props a criao de um arquivo genealgico dos doentes que veio a ser posto em prtica, cinco anos depois, na Clnica Psiquitrica da Faculdade de Medicina de Lisboa Pimentel No ano seguinte convidado para organizar a seco do Porto da Sociedade Portuguesa de Estudos Eugnicos e, nesse mesmo ano, convida Renato Kehl, presidente da organizao brasileira de eugenia, para uma conferncia no Porto, na qual o eugenista brasileiro condenou a mestiagem idem, ibidem.

Em , o mdico e antroplogo Eusbio Tamagnini 6 apresenta a proposta para a criao da Sociedade Portuguesa de Estudos Eugnicos 7 , cujos estatutos foram aprovados em Esta Sociedade, criada em Coimbra em , tinha a inteno de propagandear ideias de valorizao demogrfica e responder necessidade de se criar uma gerao mais forte.

Foi inaugurada durante as Comemoraes Centenrias da Universidade de Coimbra, com a presena 8 de representantes de vrios pases 9 e esteve em actividade at Mas j anteriormente, na lio inaugural da Universidade de Coimbra, no ano lectivo de , Tamagnini analisa a importncia do estudo da populao e destaca as medidas eugnicas j tomadas pela Alemanha: Podem discutir-se pormenores, pode discordar-se de certos processos, mas o que ningum pode contestar a seguinte afirmao do Hitler: Numa poca em que as raas se esto intoxicando a si prprias, o Estado que devote os seus cuidados aos seus melhores elementos tnicos dominar um dia o Mundo Por seu turno, Bissaya-Barreto, mentor de vrias estruturas de apoio s crianas, os homens de amanh, que segundo ele permitiriam a continuidade dos valores da nao e da raa, defendeu em , no discurso para as festas comemorativas da cidade de Coimbra, que: As Naes novas e as velhas como a Nossa, de to brilhante Passado, necessitam Tamagnini foi ministro do governo de Salazar, de a , professor de Antropologia, na Universidade de Coimbra, e realizou estudos que ilustram o seu interesse pela raa.

Do Porto e Lisboa, onde as seces da sociedade eram dirigidas por M. Corra e H. Embora no fazendo parte desta sociedade, Bissaya-Barreto esteve presente na sua inaugurao. Em Portugal, a via higienista apoiada pelas descobertas da qumica, medicina e farmcia acabaria por prevalecer via eugenista, embora as duas pudessem coexistir. Outro elemento interessante que as discusses acerca da eugenia passaram a juntar aos argumentos biolgicos, os elementos sociolgicos, psicolgicos e at jurdicos, no que diz respeito regulamentao de casamentos e divrcios proposta por alguns mdicos e consequente necessidade de actualizar o Cdigo Civil portugus.

No que respeita esterilizao, houve em Portugal um certo consenso em a reprovar. Apenas Egas Moniz, Prmio Nobel de Medicina e Fisiologia , props a esterilizao para eliminar a hereditariedade mrbida, uma medida no entanto restrita a casos clnicos mais especiais Pereira Entre os grandes defensores da eugenia estiveram vrios psiquiatras e pessoas de distintos quadrantes polticos: ex-nacionais-sindicalistas E.

Tamagnini, Joo de Almeida , membros do Partido Evolucionista Bissaya-Barreto , conservadores republicanos Jlio Dantas , membros da Unio Nacional e opositores ao regime como lvaro Cunhal, que defendeu em a despenalizao do aborto Por outro lado, encontram-se apologistas da eugenia com diferentes posturas relativamente religio: catlicos, agnsticos e ateus Pimentel Os catlicos defenderam a eugenia embora aprovassem medidas natalistas de aumento da populao e condenassem as medidas limitativas da natalidade idem, p.

De facto, a Igreja foi-se mantendo vigilante no que diz respeito a uma excessiva interveno do Estado no domnio privado e familiar, procurando assim impedir os excessos negativos da eugenia. Em Portugal registou-se ento a persistncia dos valores humanistas, em parte devido influncia crist, e especificamente catlica, com a interveno da Igreja no Estado.

Sendo assim, os princpios da eugenia no foram levados at s ltimas consequncias e no se registou no pas a ocorrncia de extermnio ou genocdio, como sabemos que aconteceu nos EUA e na Alemanha, ou de esterilizao como sucedeu na Sucia.

A sua tese de licenciatura incidiu sobre A Realidade Social do Aborto e defendeu a legalizao do aborto. Na primeira metade do sculo XX, estas discusses acerca do aperfeioamento da raa estiveram envolvidas tambm com a questo colonial Matos e, por essa razo, com a questo da miscigenao 12 , envolvendo os meios polticos, por um lado, e os cientficos, por outro. Assim, por exemplo, governadores coloniais, como Norton de Matos ou Vicente Ferreira, no eram favorveis mestiagem, embora fossem a favor da elevao social de pretos e mulatos, salvaguardando, no entanto, que estes constitussem grupos cuidadosamente separados Ribeiro J no mbito cientfico, por exemplo, no I Congresso Nacional de Antropologia Colonial de , o mdico Germano da Silva Correia criticou o povoamento colonial por condenados, inaceitveis em matria da eugensica intertnica, por um lado, e defendeu uma poltica colonial extremamente humanitria e rasgadamente liberal para apelar colaborao dos mestios, por outro Correia, G.

No mesmo Congresso, mas com um esprito um pouco diferente, Tamagnini, ao defender o esforo para incutir nos portugueses o desejo de emigrarem para as colnias e a se fixarem definitivamente, alertou para os perigos da mestiagem, referindo que esta era um risco para tdas as sociedades humanas, desde a Famlia at ao Estado Contemporaneamente a Tamagnini, podemos encontrar em M. Corra propsitos muito idnticos. No Congresso de Antropologia Colonial , este autor chama a ateno para a necessidade do desenvolvimento de estudos sobre os problemas biolgicos e sociais do mestiamento cuja intensidade angustiosa e dramtica deveria preocupar os investigadores, pois foram esquecidos desde os tempos dourados em que o grande Afonso de Albuquerque favorecia o cruzamento de portugueses com as mulheres indgenas.

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Este mdico no apoiava a mestiagem, uma vez que um mestio era um sr imprevisto no plano do mundo Nas Comemoraes de , no discurso da Sesso Inaugural do Congresso Nacional de Cincias da Populao, refere a importncia do vigor e da pureza germinal da Raa para a continuidade histrica da Nao c: Numa outra comunicao apresentada ao Congresso Colonial, enfatiza a sua linha de pensamento quanto mestiagem, defendendo que: de um mestiamento no se pode esperar uma nova linha racial pura b. Apela ainda A questo da mistura racial no era nica de Portugal.

Corra debrua-se sobre os Factores degenerativos na populao portuguesa e seu combate e anuncia o mestiamento como possvel factor degenerativo. Contudo, o que este autor acaba por destacar a imprevisibilidade do mestiamento b e no a sua fundamentao cientfica. Dito de outra forma, o mestiamento levaria diluio de caracteres b , mas a questo de o factor degenerativo surgir era apenas uma possibilidade a.

Ainda no mbito daqueles congressos de , no Congresso Colonial, Gonalo de Santa-Rita , professor na ento Escola Superior Colonial, aborda questes como o contacto da raa portuguesa com as raas indgenas e o contacto das raas nas colnias portuguesas e revela-se tambm contrrio existncia de mestios Quatro anos mais tarde , numa Comunicao apresentada Deve dar-se aos mestios do nosso Imprio um tratamento carinhoso, humano, fraterno, procurando melhorar a situao daqueles que, porventura, foram desfavorecidos por ms condies sociais e educativas e promover, tanto quanto possvel, a sua colaborao com os mais prestimosos valores nacionais; 2.

No deve considerar-se o mestiamento em larga escala como base da nossa poltica colonial, pois isso implicaria a destruio dum patrimnio germinal, que a maior garantia da continuidade histrica da Ptria; 3. O mestiamento em reas de difcil aclimao dos europeus ou por virtude da escassez dos colonos provenientes da metrpole, , no entanto, um recurso a adoptar para explorao dalguns territrios Em tal caso deve procurar-se, dentro do possvel, uma seleco eugnica dos progenitores A mestiagem era vista como uma ameaa, pois poderia conduzir dissoluo de caracteres especficos dos portugueses, cuja existncia vrios autores tinham tentado demonstrar desde o sculo XIX.

Porm, a posio destes autores, embora influente, no representa todos os discursos da poca. Havia alguns que contrastavam com estes, sobretudo mais tarde, aps a apropriao das teses luso-tropicalistas de Gilberto Freyre.

Curiosamente, nesta mesma altura, a par das consideraes contrrias miscigenao, que assistimos produo de trabalhos visando provar a pureza do povo portugus. No mbito das Conferncias de Alta Cultura Colonial , Sampaio e Mello, professor da Escola Superior Colonial, defende que os portugueses em contacto com outras populaes se manteriam sempre portugueses e um bom exemplo disso era o Brasil Por seu turno, num texto sobre o ndice nasal dos portugueses, Tamagnini procurou demonstrar que os narizes dos portugueses eram muito diferentes e no tinham qualquer influncia dos narizes dos africanos.

Por ocasio do Congresso Nacional de Cincias da Populao , o mdico Joaquim Pires de Lima defendeu que os portugueses resultavam da sntese entre os elementos lusitano, romnico e germnico, negando outras influncias No mbito deste mesmo congresso, Aires de Azevedo apresenta um trabalho no qual conclui que a influncia das raas coloniais nomeadamente Hindu e Negra na pureza bioqumica do povo portugus, prticamente nula Ainda no mbito dos congressos de foi apresentado um estudo sobre as populaes indo-portuguesas.

O seu autor, Germano da Silva Correia refere que no ocorreu nem degenerescncia, nem diversificao rcica na grei Luso-descendente, domiciliada h mais de dois sculos nesta Colnia e que a nica diferena resultante do clima tropical o menor grau de robustez orgnica Apesar do que foi dito atrs, na histria da colonizao portuguesa, houve quem tenha defendido uma poltica de casamento misto, como o caso de Afonso de Albuquerque 13 , vice-rei da ndia, que encorajou os seus homens a casar com as mulheres de origem ariana convertidas ao cristianismo, embora tenha enfatizado no querer que estes casassem com as mulheres negras de Malabar Boxer Vrias vezes foram lembradas as iniciativas de Albuquerque na ndia no que disse Aqui o processo de colonizao ocorreu de um modo diferente do que aconteceu em frica.

Quando os portugueses chegaram ndia encontraram imprios imponentes, houve gente que ascendeu nobreza, a Escola Mdica de Goa era muito organizada, etc. Os hindus impressionaram pelo seu desenvolvimento e organizao social. Embora a sua religio fosse diferente, o seu desenvolvimento social e cultural era considerado superior ao dos africanos. As suas ideias de poltica colonial, postas em prtica no incio do sculo XVI, foram mesmo consideradas inspiradoras e precursoras das ideias que se quiseram pr em prtica nos territrios coloniais depois dos anos 40 do sculo XX.

Porm, tal processo no ter sido pacfico. A sensao de estranheza do colono quando chegava aos territrios ultramarinos e tinha um primeiro contacto com as suas populaes autctones, pode ser descrita como um choque cultural, embora depois houvesse uma adaptao, como nos referiu, em entrevista, um ex-funcionrio administrativo nos anos 30 em Angola: J: - Sucedeu-me isso, quer dizer, o prprio soba no perceber como que um monaqueca rapaz novo podia viver sem mulher, mas o administrador onde eu estava, dizia: - No senhor, voc ou tem uma ou no pode ter muitas.

E eu disse: senhor administrador, eu no tenho nenhuma, eu no quero, eu no me relaciono com pretas! Eu tinha 18, 17 anos quando fui daqui, rapaz, e eu chegava l e ver uma preta nua no me impressionava nada, aquilo para mim era um bicho; mais tarde j no era uma questo de costume, de adaptao ao ambiente.

De facto, relativamente comum considerar-se que os portugueses no estabeleciam barreiras raciais nas suas colnias e que a sua fcil miscigenao com outros povos lhes daria uma certa especificidade Boxer Na obra citada, G. Freyre destaca a predisposio dos portugueses para o contacto fraterno com as populaes tropicais, devido ao seu passado tnico e cultural de povo indefinido entre a Europa e a frica Todavia, a obra de Freyre no teve receptividade em Portugal na dcada de O renascimento do imprio estava imbudo de ideias raciais e, como tal, no havia lugar para a viso culturalista de Freyre ou para o elogio do mestio Castelo Embora a recepo inicial da teoria gilbertiana em Portugal tenha sido heterognea e no lhe tenha sido dado um grande destaque nos anos 30 e 40, sobretudo no perodo ps-Segunda Guerra, que se verifica uma mudana na atitude dos polticos do regime face ideologia de Freyre, embora ela nunca tenha sido apoiada oficialmente Castelo Como resultado das presses anti-coloniais, numa altura em que os pases europeus j tinham concedido a independncia s suas colnias, foi necessrio proceder a uma reformulao da postura portuguesa face aos territrios ultramarinos e seus habitantes.

A Constituio de instituiu o regime de indigenato aos nativos de Angola, Moambique e Guin pelo facto de considerar que estes ainda no tinham alcanado o nvel de cultura e o desenvolvimento social dos europeus como possuam os de Cabo Verde, ndia Portuguesa e Macau Santos Ao mesmo tempo, a expresso colonizao passa a ser substituda gradualmente por integrao. As ideias discriminatrias do Acto Colonial criado em comeam a ser abandonadas e o regime adopta a teoria cientfica de Freyre 15 , segundo a qual a colonizao portuguesa teria sido diferente, uma vez que os portugueses sempre tinham respeitado os valores das populaes com as quais se relacionaram e com as quais mantiveram laos de tolerncia, harmonia, fraternidade e at de intimidade, criando as chamadas sociedades luso-tropicais.

Mas as concepes luso-tropicalistas de Gilberto Freyre receberam crticas. Ainda hoje, muito difcil para muitos acreditar na teoria luso-tropicalista. A discriminao racial e as duras prticas administrativas coloniais existiam e persistiam. No caso de Jorge Dias, por exemplo, s a visita ao terreno lhe concedeu uma viso crtica diferente das vises luso-tropicalistas que o regime apropriou.

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Em , num Relatrio de Campanha Moambique, Angola, Tanganhica e Unio Sul-Africana , este autor, um pouco inesperadamente, e at ousadamente, declarava que: ns continuamos a ouvir sempre repetir que os indgenas gostam mais dos portugueses que dos ingleses, porque os tratamos com mais humanidade e nos interessamos pela vida deles.

E esta histria vai-se repetindo, como certos erros que passam de uns manuais para os outros, porque os autores em vez de procurarem verificar a exactido das afirmaes, acham mais cmodo repetir aquilo que os outros disseram Dias e Guerreiro Escolhi a expresso oximrons para o ttulo desta comunicao, porque um oximron designa uma combinao engenhosa de palavras que, no fundo, se contradizem entre si.

No mbito do contexto nacional e colonial portugus analisado, encontrmos algumas dessas combinaes. Portugal, um pas pequeno, cujos recursos no abundavam, era dado a ver como um pas grande, imperial, com territrios espalhados por todo o mundo. Os oximrons podem surgir tambm, por exemplo, num contexto no qual partida concebemos o Estado e a Igreja como separados, mas depois assistimos ao entrecruzar dos discursos polticos com os discursos da Igreja, e influncia da Igreja no prprio Estado, e constatamos que alguns discursos cientficos afinal esto imbudos de discursos tambm eles polticos e at de teor religioso.

Um outro oximron resulta da promoo da ideia de pureza racial dos portugueses e da argumentao simultnea de que os portugueses descendiam de vrios povos ao longo de sculos , mas todos eles tinham caractersticas particulares que se tinham mantido inalterveis. Ou seja, apesar da ascendncia diversa dos portugueses, essa mistura nem sempre foi reconhecida e alguns autores procuraram provar a sua pureza racial.

Outros consideravam que mesmo cruzando-se com outros povos, nunca perderiam a sua essncia individual que os caracterizaria. No mbito do contexto colonial, o processo de assimilao das populaes autctones dos territrios ultramarinos no parecia diluir a originalidade portuguesa, pois o potencial eugnico dos portugueses permitia que essa originalidade se mantivesse mesmo em contacto com populaes exticas.

Curiosamente, nos sculos anteriores, a atribuio de um ttulo nobilirquico em Portugal, por exemplo, s era concedida se o indivduo provasse que nunca tinha passado por frica e, portanto, no tinha tido quaisquer relaes com negros.

Faz sentido tambm falar em oximron quando nos estamos a referir ao texto da Constituio de que se refere ao processo de assimilar os nativos dos territrios sob administrao portuguesa, tendo o estatuto de indgenas, que no permitia o acesso cidadania da maioria da populao das colnias africanas, perdurado ainda at Por outro lado, estamos perante um oximron quando nos lembramos da defesa das teses luso-tropicalistas aplicadas caracterizao da colonizao portuguesa.

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Hoje, a ideia do luso-tropicalismo, h muito alvo de descrdito cientfico, e tendo sobrevivido ao perodo ps-independncia das ex-colnias portuguesas, parece coadunar-se, segundo alguns historiadores como Valentim Alexandre e Cludia Castelo e antroplogos como Miguel Vale de Almeida e Cristiana Bastos , com algumas das ideias acerca do nacionalismo portugus, da identidade nacional e da adaptao dos portugueses a diferentes territrios.

Quanto predisposio especial dos portugueses para a adaptabilidade, h autores que ainda recentemente se prenderam com essa questo Contudo, no ser tambm um oximron a combinao sugerida por alguns entre ideias de cultura de fronteira Boaventura Sousa Santos e a de que a cultura portuguesa se deixa contaminar pelo que lhe exterior Jorge Dias [], B.

Santos com a ideia de um modo de ser portugus facilmente identificvel e transhistrico? Como vimos, as buscas da perfeio ao servio da nao, na expresso do nosso subttulo, emergiram no final do sculo XIX, atravessaram o perodo que precedeu o Estado Novo e reavivaram-se com este, atingindo o seu auge durante as dcadas de 30 e 40 do sculo XX.

Muitos dos autores que teceram consideraes acerca da raa e da eugenia tinham currculos que, na altura, no permitiriam levantar qualquer suspeita. O que podemos ento esperar dos antroplogos de hoje? Correr-se- o risco de voltarmos a viver em contextos semelhantes aos aqui descritos, nos quais se discute a superioridade biolgica e cultural de uns indivduos em relao a outros e se propem medidas cientficas e polticas com vista a penetrar nas esferas pessoais e sociais dos indivduos?

Poderemos ns prever isso, dado o contexto que se vive actualmente? Boaventura Sousa Santos caracterizou a cultura portuguesa como uma cultura de fronteira e defendeu ideias a propsito da capacidade de adaptao da cultura portuguesa. Tanto um autor como outro abordaram a questo da cultura portuguesa se deixar contaminar pelo que lhe exterior, o que faz dela uma entidade poliglota, segundo J. Dias , ou marcada por uma grande disponibilidade multicultural, segundo Sousa Santos.

Estando Portugal a transformar-se cada vez mais num pas de imigrao e de acolhimento para muitos indivduos poderemos vir a assistir novamente a discusses sobre os possveis efeitos das misturas biolgicas e culturais dos portugueses com outros grupos e, consequentemente, sobre o receio da diluio dos caracteres seculares evocados por alguns autores?

Inventariar-se-o diferenas incomparveis, porque distintas e distantes, ou ser que porque existem semelhanas que se podero facilmente continuar a compar-los? Por outras palavras, no ser apenas onde existem afinidades que podemos encontrar diferenas?

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Perspectivas Comparativas. Oeiras, Celta, Madison, The University of Wisconsin Press. Lisboa, Edio dos Congressos do Mundo Portugus, Mais vale prevenir do que remediar. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro. Lisboa, Dom Quixote, 1. O luso-tropicalismo e a ideologia colonial portuguesa Porto, Afrontamento. Porto, Edies da 1. Exposio Colonial Portuguesa, Porto, Costa Carregal. Porto, Imprensa Portuguesa. Porto, Enciclopdia Portuguesa, Resumo das lies feitas pelo assistente, servindo de professor da cadeira.

So Paulo, Hemus. Dirio de Coimbra, , edio de DIAS, A. Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, Lisboa, Junta de Investigaes do Ultramar, Misso de Estudos das Minorias tnicas do Ultramar Portugus. Lisboa, Junta de Investigaes do Ultramar.