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CURSO DE REDAO ANTONIO SUAREZ ABREU BAIXAR

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postado por Aurelia

CURSO DE REDAO ANTONIO SUAREZ ABREU BAIXAR

| Diversão

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    A passagem do Veyron em velocidade mxima perturba a todos e, ao se afastar, o veculo deixa apenas um rastro abstrato de pura fascinao2. Trata-se de um discurso acompanhado de grandes gestos, feito mesa de jantar, por um personagem de nome Mynherr Peeperkorn, um novo hspede do sanatrio de Behrens em Davos, Sua, palco da narrativa de Mann. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, p. Moderna Rimas saborosas Leia mais. T6pico de paragrafo e desenvolvimento. Instalações elétricas prediais. Nossas escolas, entretanto, primam por no oferecer condies para isso. Muitas vezes, perdidos na fala de nosso ernissor, perguntamos. O rninistro disse aos empresarios que a inflacao vai cair. Acredito, firmemente, que esse livro cumprir seu propsito porque seu contedo j foi testado com bastante sucesso. Ai, balanos do meu galho, Balanos do bero meu; Ai, claras gotas de orvalho Cadas do azul do cu! Arte isso: comunicar aos outros nossa identidade ntima com eles. No exemplo anterior, o sinnimo que foi empregado para recuperar Santos Dumont foi brasileiro. Rio de Janeiro: Elsevier, Geralmente, o mocinho, o nice guy. O formato do rosto, o som da voz, um detalhe qualquer podem ativar nossa memria emocional para o bem ou para o mal.

    Veja grátis o arquivo antonio suarez curso de redacao 11 ed sao paulo editora e Ciencias Humanas da U niversidade de Sao Paulo Antonio Suarez Abreu T. É um livro que ensina a redigir da maneira mais eficaz e natural possível, articulando, continuamente, a estrutura básica do texto com os o. Compre CURSO DE REDAÇAO, do(a) EDITORA ATICA. Confira as melhores ofertas de Autor: ABREU, ANTONIO SUAREZ. Formato: LIVRO. LOCALIZE NA . Gostaria de agradecer, em especial, a Marisa Lajolo, as importances. ontribuicoes que me permitiram modificar a redacao do primeiro capiulo. I llllll Ill lllllll Ill II Ill llllll l la edicao 2' impressao cURSO DE N REDA~ AO Professor da ABREU, Antônio Suárez. Download

    Angela Kretschmann. Marcelo Minuzzi. Por que pseudo? Chegariam na universidade sem necessitar de estudos adicionais e com isso avançar de forma mais célere o seu conhecimento.

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    Os reformistas desejavam efetivamente tornar os alunos mais livres para o aprendizado, porém, parece que teriam errado na dose. Ocorreu uma decadência geral da ortografia entre as turmas fundamentais, e os problemas se revelaram ainda piores para alunos com dislexia ou que apresentavam alguma necessidade especial.

    Esse curso propõe ainda metodologias diversificadas para o trabalho em sala de aula, bem como proporciona questionamentos acerca dos fazeres pedagógicos, buscando alternativas de trabalho trabalho em sincronia com o ato de aprender e o prazer de estudar nossa língua.

    E por que esse tipo de ensino de português? E nada melhor do que fazer um resumo dos relatos sobre o assunto. O que antes parecia um bolo de frases e orações desconexas, agora emergia uma bela sopa de letrinhas.

    Português 2. Rio de Janeiro:Jorge Zahar, More filters. Sort order. Jun 25, Juliana Petito rated it really liked it. O livro é mais cativante nos capítulos iniciais, e depois cai no aspecto muito técnico de sua proposta. Ainda assim, vale a leitura, que pode ser concluída em poucas horas.

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    Apr 28, Rodrigo Campos rated it really liked it. Jul 25, Ivanilson Calado rated it really liked it. Livro interessante, mais pelas citações e conhecimentos gerais apresentados do que pelo tratamento do assunto em si. Nov 13, Cecília rated it really liked it Shelves: own , pt-br. Sou uma eterna apaixonada por relações humanas. Jun 09, André rated it it was ok. O livro é bem escrito e de linguagem clara, porém esperava mais da Arte de Argumentar.

    Para ler em 01 um dia. Davi Bauer rated it it was ok Dec 04, Fran Carlos rated it it was amazing Aug 29, Bruno rated it liked it Feb 07, Wilkson Sousa rated it liked it Sep 13, Fabrizzio rated it really liked it Feb 23, Amanda rated it really liked it Mar 01, Vinícius Carvalho Quesada rated it liked it Sep 18, Por esse motivo que no faz muito sentido, hoje em dia, fazer distino rgida entre comunicao oral e escrita. Alis, as diferenas que tradicionalmente so ditas existirem entre fala e escrita so bem menores do que se pensa.

    Cada gnero tem suas prprias regras e convenes. Num e-mail, temos de preencher o campo de assunto; em um telefonema, mesmo quando estando apenas ouvindo, temos de enviar, freqentemente, sinais vocais como ah, h, etc. Na narrao, contamos um evento, na argumentao, defendemos uma idia. Na descrio, tentamos passar ao nosso interlocutor um cenrio, uma paisagem.

    Numa injuno, damos uma ordem, fazemos um pedido, estabelecemos condies. Uma orao religiosa, um aviso proibindo pisar na grama, assim como a sentena proferida por um juiz ou a ordem de pagamento que enviamos a algum por meio de um banco so injunes.

    Dentro de um gnero, podemos utilizar diversos tipos textuais. Se, dentro do gnero telefonema, eu converso com um amigo contando uma aventura, tenho uma narrao.

    Se descrevo um lugar ou uma pessoa, tenho uma descrio. Se defendo uma idia, tenho uma argumentao e, quando, ao despedir-me, desejo-lhe uma boa semana, tenho uma injuno.

    Vejamos a pequena carta, a seguir, escrita por Machado de Assis a Joaquim Nabuco, por ocasio da morte da me deste ltimo: Meu caro Nabuco. Receba os meus psames pela perda de sua querida e veneranda me. A filosofia acha razes de conformidade para estes lances da vida, mas a natureza h de sempre protestar contra a dura necessidade de perder to caros entes.

    Felizmente, a digna finada viveu o tempo preciso para ver a glria do filho, depois da glria do esposo. Retirou-se deste mundo farta de dias e de consolaes.

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    Minha mulher rene os seus aos meus psames. O velho amigo, Machado de Assis Rio de Janeiro, 5 de out. A carta tem incio com uma injuno: o voto de psames. Logo em seguida, aparece o tipo textual argumentao, quando Machado contrape a Filosofia natureza.

    Depois, vem uma pequena narrao, quando ele fala do percurso de vida da falecida, assistindo glria de Joaquim Nabuco e de seu pai. Finalmente, o texto termina com outra injuno: os psames da. Na redao classificada em primeiro lugar em , num concurso patrocinado pela EPTV, cujo tema foi A doao de rgos, o efeito criativo estava justamente na utilizao da injuno, um tipo textual diferente da argumentao, que seria o tipo esperado em um texto como esse.

    Vejamos o primeiro pargrafo desse texto: A morte s tem importncia na medida em que nos faz pensar na vida. Por isso, quando eu me for, no me deixe ir totalmente. Tire da minha morte a esperana da vida. Doe meus rgos, assim eu no morrerei de verdade, mas me perpetuarei como parte das vidas que poderei salvar2. O discurso jurdico congrega gneros prximos como petio, sentena, acrdo. J o discurso jornalstico inclui gneros to diferentes como reportagens, editoriais, anncios classificados, horscopo etc.

    Isso aconteceu na Sumria, na regio onde hoje fica o Iraque, e foi fundamental para o incio das civilizaes.

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    Tanto verdade que a inveno da escrita configura a fronteira entre a Pr-Histria e a Histria. As grandes obras arquitetnicas, a literatura escrita, a Filosofia somente puderam existir, quando algum, lanando mo de uma esptula ou de uma pena, conseguiu fazer clculos, desenhos e depositar seus pensamentos e emoes sobre um suporte fsico qualquer, fosse uma tbua de argila, um papiro ou um pergaminho. Graas escrita, voc pode fazer sua mente viajar na leitura dos jornais do dia, informando-se sobre o que est acontecendo no seu pas ou no resto do mundo.

    Lendo livros, voc descobrir que a escrita tambm uma espcie de mquina do tempo que pode lev-lo a um passado muito distante. Imagine que voc, lendo um livro escrito h muito tempo, se depara com o seguinte trecho: Tal como um fogo destruidor abrasa uma floresta imensa, nos cumes de uma montanha e de longe se v o seu claro, assim, o bronze maravilhoso dos guerreiros em marcha lanava o seu brilho resplandecente, atravs do ter, at ao cu3. Pense um pouco comigo: essa imagem do exrcito grego em marcha para lutar contra os troianos faz parte de um poema chamado Ilada, produzido nove sculos antes da era crist.

    A escrita, como mquina do tempo, levou voc trs mil anos atrs e o fez contemplar o brilho das armaduras dos heris conduzidos guerra sob a proteo da deusa Atena. Consulte um jornal do dia e procure relacionar pelo menos cinco textos de gneros diferentes. Tente explicitar diferenas entre eles. Para cada um dos textos do exerccio anterior, identifique pelo menos dois tipos textuais. Leia o texto a seguir: A poupana precaucionria feita sob o signo da prudncia.

    Ela reflete uma postura defensiva perante o futuro. O que se busca no um amanh radiante, mas precaver-se do pior. J o uso excedente, visando a finalidades simblicas, define o que podemos denominar poupana sunturia. Ela inclui, de um lado, a transferncia de trabalho e recursos do presente para o futuro, feita em nome da obteno de alguma bno ou favor celeste como na construo de pirmides e templos ou na realizao de sacrifcios e oferendas. Se h alguma forma de existncia aps a morte e se os deuses se regalam com a materializao de vastas quantidades de trabalho humano em splicas de pedra e outras homenagens, ento a poupana sunturia obedece lgica dos juros: pagar agora, viver depois.

    As poupanas precaucionria e sunturia atendem a diferentes motivaes humanas, mas tm uma caracterstica importante em comum. So ambas economicamente estreis. Quer dizer: elas no realimentam o processo produtivo de modo a expandir e incrementar sua capacidade de gerar bens e servios para o consumo futuro. O grande divisor de guas a mudana verdadeiramente capital nessa dimenso da experincia social humana foi a descoberta e gradual consolidao de uma modalidade de poupana que, em contraste com as demais, capaz de procriar, ou seja, capaz de retroalimentar o processo produtivo que lhe deu origem, vivificando o mundo do trabalho, capitalizando-o e frutificando mais de si mesmo: a poupana reprodutiva.

    A poupana reprodutiva me de si mesma. Ao contrrio de outras modalidades de poupana, que saem do circuito econmico ao cumprirem a funo a que se destinam, ela reentra no sistema, realimentando o processo que lhe deu origem e permitindo a gerao em escala ampliada de cpias de si mesma4.

    Bruna Henrique Albuquerque, aluna da 8 srie da E. Homero, Ilada, p. Eduardo Giannetti, O Valor do Amanh, pp. Se, falando sobre o mundo real, eu digo que um automvel passou em alta velocidade, a palavra automvel no o objeto fsico automvel, mas apenas uma representao lingstica que eu escolhi. Minha escolha poderia ter sido outra, como um carro passou em alta velocidade.

    Se, falando de outros mundos possveis, existentes apenas na nossa imaginao, eu digo que Harry Potter lutou contra um drago, a palavra drago apenas uma referncia, uma representao lingstica desse ser imaginrio, que poderia ser nomeado, por exemplo, como um animal mitolgico alado que lana fogo pelas ventas. As referncias que pomos em um texto, portanto, no se confundem com o que existe no mundo real ou em mundos possveis; so apenas reconstrues dos seres desses mundos no plano da linguagem.

    Quando criamos pela primeira vez uma referncia em um texto, dizemos que pomos nele uma referncia inicial, ou referncia zero. Para cri-la, temos de procurar construir uma imagem aproximada do pblico-alvo que queremos atingir. Qual a idade dele? Qual sua formao acadmica e cultural? Quais so suas crenas? Qual o domnio que ele tem do assunto que vamos desenvolver em nosso texto?

    Se voc estiver escrevendo um texto sobre ecologia para adolescentes de 13 anos, contraproducente inici-lo, dizendo, por exemplo, que uma mudana num ecossistema pode ocasionar srios problemas.

    Afinal, bem provvel que seu leitor no saiba o que um ecossistema. Essa referncia tem de ser trabalhada adequadamente para ser introduzida pela primeira vez no seu texto. Seria melhor comear dizendo: Em um ambiente em que convivem seres vivos que se relacionam entre si e com o meio em que vivem, uma mudana pode ocasionar srios problemas.

    Mais frente, voc poder referir-se a esse ambiente chamandoo de ecossistema, mas a introduo desse conceito, pela primeira vez, deve respeitar o conhecimento prvio de quem vai ler o texto. Vejamos o seguinte texto: Santos Dumont viajou para a Frana aos 19 anos.

    L, ele inventou o dirigvel e o avio. Na segunda frase frase B , o advrbio l recupera a referncia Frana da primeira frase frase A. O mesmo acontece com o pronome ele, que, na segunda frase, que recupera a referncia Santos Dumont.

    Resenha crítica sobre o livro A Arte de Argumentar

    Imaginemos uma outra seqncia como: Pedimos uma cerveja. Uma cerveja no veio gelada. Diante dela, achamos algo estranho. Embora cada uma das frases que a compem esteja gramaticalmente correta, as duas juntas no formam um todo. No sabemos se a cerveja da segunda frase tem a mesma referncia da primeira. Falta a coeso textual. Trocando o artigo indefinido uma pelo definido a, teremos: Pedimos uma cerveja. A cerveja no veio gelada. Agora, sim, as duas frases formam um todo que podemos chamar de texto.

    Voltando ao primeiro trecho, o da viagem de Santos Dumont, poderamos dar a ele outras redaes. Vejamos uma primeira alternativa: Santos Dumont viajou para a Frana aos 19 anos. L, inventou o dirigvel e o avio. Lendo a segunda frase, ligamos imediatamente o advrbio l ao termo Frana, mas no temos nenhuma palavra para recuperar Santos Dumont. Examinando, contudo, a frase com mais ateno, conclumos que possvel relacionar o agente do verbo inventar inventou a Santos Dumont, ou seja: existe uma posio vazia antes de inventou que recupera o termo Santos Dumont.

    As gramticas do portugus costumam chamar isso de sujeito oculto ou elptico. Pois : agora voc fica sabendo que o famoso sujeito oculto no passa de uma estratgia para costurar uma frase na outra, promovendo a coeso textual por meio da recuperao de uma referncia feita anteriormente.

    Uma outra alternativa de redao poderia ser: Santos Dumont viajou para a Frana aos 19 anos. L, esse brasileiro inventou o dirigvel e o avio. Agora, temos o termo esse brasileiro que recupera Santos Dumont.

    Trata-se de uma outra estratgia de coeso textual, em que utilizamos um sinnimo do termo da orao anterior.

    A coeso lxica um dos mais importantes mecanismos de coeso textual. No exemplo anterior, o sinnimo que foi empregado para recuperar Santos Dumont foi brasileiro. Trata-se de um sinnimo bastante genrico que recebe o nome de hipernimo. Vejamos, para maior clareza, uma lista com alguns hipernimos:.

    As pessoas que no dominam a arte da escrita costumam utilizar palavras como mesmo ou referido, para construir a coeso de seus textos, com resultado sofrvel. Compare os dois textos a seguir e sinta a diferena, para melhor, no segundo texto, com o uso de um hipernimo. Muita gente que freqenta restaurantes chineses prefere usar garfos e facas. H quem recuse os mesmos, preferindo improvisar com os tradicionais palitos. H quem recuse esses talheres, preferindo improvisar com os tradicionais palitos.

    O hipernimo pode ser ampliado, por motivo de clareza, como em: Santos Dumont suicidou-se no Guaruj, em plena revoluo de H quem afirme que o brasileiro inventor do bis tenha posto fim a sua vida pelo desgosto de ver os avies que criou sendo usados em misses de bombardeio.

    Vejamos o seguinte exemplo: Hoje j nos acostumamos a viver conectados com o trabalho, a famlia e os amigos pela internet. Uma sintonia que se torna mais produtiva e prazerosa quando no depende de um infernal emaranhado de fios1. Nesse texto, a palavra sintonia, na segunda frase, retoma no um termo da anterior, mas todo o seu contedo, o fato de vivermos conectados com o trabalho, a famlia e a internet.

    Nesse caso, a forma nominal referencial , quase sempre, um substantivo abstrato. Outros exemplos: A associao de jogadores chegou a entrar com um processo contra a liga, alegando ms condies de trabalho.

    Foi o sinal de alerta para que David Stern, principal dirigente da NBA, decidisse dar o brao a torcer e aceitar a volta da velha bola, algo sem precedentes na histria do campeonato.

    A deciso entrou em vigor anteontem, no jogo entre Charlotte e Minnesota, time de Kevin Garnett, um dos maiores crticos da bola sinttica.

    Aleluia para a bola de couro! Aqui, a palavra deciso retoma o fato de o dirigente da NBA trazer de volta a bola de couro s quadras de basquete.

    No caso das pragas, os agricultores usam como defensivo a planta cravo-de-defunto para impedir que o pulgo-doalgodoeiro possa contaminar a plantao, explica Guimares. Esse tipo de conduta, na verdade, j amplamente disseminada pelo Brasil, inclusive para a preservao de pequenos jardins3. Nesse outro texto, a palavra conduta retoma o fato de os agricultores usarem o cravo-dedefunto como defensivo agrcola. Comea aqui o primeiro passo para a redao de um texto ao mesmo tempo claro e criativo.

    Compare, por exemplo, as duas verses, a seguir, de um mesmo texto: 1 verso Em outubro passado, quando lanou ao vento seu pacoto de sugestes para melhorar a Frmula 1 e reduzir seus custos, Max Mosley quase foi detido numa camisa-de-fora.

    Houve quem achasse que ele tinha pirado de vez. Entre outras coisas, ele propunha a troca de pilotos para dar mais emoo s corridas. Entre outras coisas, o advogado ingls propunha a troca de pilotos para dar mais emoo s corridas4. Na segunda verso, publicada na revista Quatro Rodas, o leitor fica sabendo que Max Mosley era presidente da Federao Internacional de Automobilismo, que era ingls e que era advogado.

    Isso torna o texto muito mais claro para o leitor e tambm mais criativo. Existem algumas maneiras de fazer isso. Uma delas o uso das anforas5 definicionais, em que o termo utilizado para a coeso lxica uma definio da referncia inicial, como no texto a seguir: Este ano, no Brasil, o H5N1 poder ser diagnosticado num prazo de trs horas. Como vemos, a forma nominal o vrus da gripe aviria, que retoma H5N1, uma definio de H5N1. Outra maneira de fazer isso a utilizao de metforas7 como anforas didticas, como no texto a seguir: O dicionrio da vida o famoso cdigo gentico pode at parecer complexo, mas muito pobre.

    Na prtica, a receita para a construo de qualquer organismo exige apenas 20 palavras. Mas, como toda linguagem, ele tambm pode crescer, com uma mozinha do ser humano: um grupo de cientistas dos EUA acaba de criar cinco neologismos genticos para uma coleo de fungos num laboratrio da Califrnia8. A arquiteta iraquiana conhece Niemeyer pessoalmente e escreveu uma carta de apresentao9. A expresso lenda viva da arquitetura utilizada para retomar Niemeyer tem o claro objetivo de exaltar sua figura.

    J o uso do hipernimo arquiteta iraquiana, para retomar Zaha Hadid, tem apenas o objetivo de dar maior clareza ao texto. Um exemplo do emprego da coeso lxica para apreciao negativa pode ser visto no seguinte trecho: O Brasil vai deixar de ter populao rural em , se continuarem sendo usados os critrios atuais para definir o grau de urbanizao do pas.

    A expresso absurdo, terico e prtico cumpre o papel de desqualificar os atuais critrios para definir o grau de urbanizao do pas. Quando dizemos rio Amazonas, por exemplo, Amazonas aposto de rio, porque modifica rio e se identifica com rio Rio Amazonas e Amazonas rio.

    Nesse exemplo, temos o aposto especificativo, uma vez que rio gnero e Amazonas espcie. Quando dizemos Eisenhover, general e presidente americano, general e presidente americano aposto de Eisenhover, porque modifica Eisenhover e se identifica com ele. Nesse caso, contudo, temos um aposto explicativo, uma vez que Eisenhover espcie e general e presidente americano gnero.

    O aposto explicativo deve vir sempre entre vrgulas. Vejamos agora o seguinte trecho de Arnaldo Jabor: Depois, o papa ficou doente, h dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixo alguma, pensava que o pontfice no queria largar o osso? At que, nos ltimos dias, Joo Paulo II chegou janela do Vaticano, tentou falar e num esgar dolorido, trgico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado.

    Essa foto um marco, um smbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenncio do Juzo Final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa poca.

    Naquele momento Deus virou homem. E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criana, um rosto infantil em prantos! O papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre, ex-ator, ex-operrio, ali estavam as vtimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava a imensa solido igual minha. Ento, ele morreu Nos dois primeiros pargrafos a coeso textual feita de maneira normal.

    No terceiro pargrafo, porm, esse procedimento ganha uma dimenso maior por ser um recurso utilizado por Jabor para reconstruir a figura do papa como objeto do seu discurso, de acordo com um novo ponto de vista da sua percepo. A figura do pontfice resumida por essa foto, retomada na frase seguinte como prenncio do Juzo Final. Logo a seguir, h dois apostos, um rosto do Apocalipse e a cara de nossa poca. Na frase seguinte, prossegue o uso da coeso lxica. A expresso o homem de Deus retoma a figura do papa.

    Seguem-se dois apostos: o Infalvel, o embaixador de Cristo. Nas frases seguintes, prossegue o uso da coeso lxica com mais apostos. Na frase final, temos dois apostos modificando a expresso o menino. Como vemos, aliado coeso lxica, o aposto explicativo um importante recurso da lngua disponvel para ser usado na construo das referncias. Vejamos o seguinte texto: Desde que os terroristas da Al Qaeda atacaram o World Trade Center e o Pentgono, no ano passado, h uma certeza: a organizao islmica prepara novos atentados.

    A dvida quando e onde. Nos ltimos dez meses, a derrota no Afeganisto e a vigilncia internacional tornaram mais difcil a comunicao entre as clulas do grupo terrorista liderado pelo saudita Osama bin Laden Pela linha do texto, somos informados de que os terroristas da Al Qaeda preparam novos atentados, no se sabe quando e onde e que a derrota no Afeganisto e a vigilncia internacional dificultaram a comunicao entre suas clulas.

    Pela linha da coeso lxica, somos informados de que a Al Qaeda uma organizao islmica, que um grupo terrorista e que seu lder Osama bin Laden, de naturalidade saudita. Essas informaes poderiam tambm ser fornecidas dentro da linha do texto, mas o autor preferiu utilizar a construo da referncia para veicul-las. De fato, a coeso lxica ao longo do texto vai completando, dentro das mentes do leitor, a referncia inicial terroristas da Al Qaeda.

    Comece a escrever um texto, introduzindo uma referncia sobre os temas abaixo, imaginando que seu pblico-alvo so jovens pr-adolescentes: a a China; b os satlites de comunicao; c o imposto de renda; d um museu. Comece a escrever um texto, introduzindo uma referncia sobre os temas abaixo, imaginando que seu leitor um australiano adulto que aprendeu portugus em Sidney e com quem voc se corresponde pela internet: a o Brasil; b a escravido no Brasil; c Santos Dumont; d o Carnaval.

    Escolha um dos incios de texto do exerccio anterior e desenvolva a referncia inicial: a por meio de uma coeso lxica neutra; b. Repita o exerccio anterior para todos os outros temas do exerccio 2.

    Revista poca, edio especial, dez. Folha de S. Paulo, 3 jan. Paulo, 10 dez. Revista Quatro Rodas, mar. Significa transportar a referncia de uma frase anterior para a frase seguinte. Revista Pesquisa Fapesp, abr. No prximo captulo, falarei um pouco mais amplamente sobre a metfora. Revista Veja, 18 jun. Jornal Folha de S. Paulo, 10 jul. Arnaldo Jabor, Pornopoltica, pp.

    Revista Veja, 17 jul. Transportemo-nos para a pr-histria e imaginemos dois de nossos longnquos ancestrais que, numa manh, abandonaram provisoriamente a segurana da caverna em que moravam, em busca de comida. Esto observando as rvores, procurando frutos.

    Subitamente, surge um grande tigre negro que ataca um deles e comea a devor-lo. Em desabalada carreira, esquecendo a prpria fome, o sobrevivente volta caverna. No dia seguinte, sai ele de novo, procura de alimento. De repente, v, a meia distncia, um tigre cinza vagando por perto.

    Imediatamente, pe-se a correr de volta caverna. Mas, por que ele fez isso? Afinal, o tigre que vira no era o tigre negro do dia anterior que tinha almoado o amigo! Intuitivamente, nosso ancestral incluiu os dois animais, o do dia anterior e o do dia seguinte em uma categoria: a de animal predador. Graas a essa habilidade cognitiva, ele pde sobreviver e, quem sabe, ter a oportunidade de passar seus genes frente e ser um de nossos tataravs perdidos no abismo do tempo.

    Podemos, agora, tirar duas concluses. A segunda que esse processo faz parte do arsenal cognitivo do animal humano e sempre foi fundamental para sua sobrevivncia. Como diz Antnio Damsio, em seu livro O Erro de Descartes, quando somos confrontados com uma situao, a categorizao prvia permite-nos descobrir rapidamente se uma dada opo ou resultado ser vantajoso ou de que modo as diversas contingncias podem alterar o grau de vantagem1.

    A nossa experincia de projeo mais comum a da projeo de uma parte em um todo. Se estamos diante de uma pessoa sentada do outro lado de uma mesa, nossa percepo visual abarca apenas parte do seu tronco, a cabea e, possivelmente, os braos.

    Sabemos, entretanto, que ela se encontra inteira atrs da mesa. Essa concluso se fundamenta numa projeo: projetamos a parte que percebemos visualmente no todo que a pessoa inteira.

    Por esse motivo que podemos utilizar fotos 3x4 em documentos de identificao. Quando mostro uma dessas fotos a algum, ningum diz: Ah, a cabea do Joo. Diz, simplesmente, o Joo. Quem assiste projeta o cenrio da fachada em um prdio inteiro.

    Antigamente, a metonmia era tratada apenas como figura de linguagem. Modernamente, entendida como um. Os processos cognitivos que nos levam a fazer projees metonmicas acham-se tambm ligados a fatores histricos e culturais.

    Por que uma revoluo acontecida em Pernambuco, em , foi denominada praieira? Porque a sede do jornal liberal O Dirio Novo, que propagava as idias que originaram a revolta, ficava na Rua da Praia, no Recife.

    Temos a uma projeo metonmica que se configura pela utilizao do nome de um local pelo evento nele acontecido. Pelo mesmo processo, provm uma infinidade de denominaes como: batalha de Waterloo nome de uma regio ao sul de Bruxelas onde se deu a famosa batalha em que Napoleo foi derrotado pelos ingleses , escndalo de Watergate edifcio onde ficava a sede do partido democrata americano, em Washington , deciso de Downing Street residncia do primeiro ministro britnico etc.

    Antnio Damsio, no mesmo livro citado h pouco, relaciona a metonmia tambm s nossas emoes e nos fala que, se um componente marginal se acha vinculado a algo positivo ele visto, tambm, como positivo e se, ao contrrio, ele se acha vinculado a algo negativo, visto, tambm, como negativo. Conclui ele, dizendo que A luz que ilumina uma coisa genuinamente importante, boa ou m, brilha tambm sobre o que a rodeia2.

    O formato do rosto, o som da voz, um detalhe qualquer podem ativar nossa memria emocional para o bem ou para o mal. H uma conhecida apresentadora de televiso, muito bonita e competente, mas que, sem culpa prpria, me causou pssima impresso desde a primeira vez em que a vi, porque sua voz exatamente igual de uma professora que eu considerava antiptica.

    Plato, no livro em que narra o dilogo de Scrates com seu discpulo Fdon, sobre a natureza da alma, faz referncia a essa metonmia emocional, caracterizando-a como reminiscncia: Muito bem prosseguiu Scrates. No sabes o que acontece com os amantes quando vem uma lira, um traje ou qualquer outra coisa que seus amados costumem usar habitualmente? Que ao ver essa coisa pensam em seu dono? Isto a reminiscncia.

    Elas apostam no efeito da projeo desses locais, das garotas ou das celebridades sobre aquilo que pretendem vender. Esse tipo de colagem chamado de amlgama cognitivo. Numa atitude, muitas vezes criminosa, algumas agncias de publicidade associam o esporte ao consumo de cigarros, e o consumo de cerveja a corpos bonitos. Um caso que ficou famoso nos anais da tica na publicidade foi a propaganda do cigarro Malrboro, que associava o cigarro imagem de um caubi viril.

    A metonmia ligada s emoes explica, tambm, a paixo que certas pessoas demonstram por carros antigos. Automveis bastante antigos, fabricados nos anos de , quase no chamam sua ateno.

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    Diante de um Mustang , contudo, ele se detm emocionado. Um Ford 29 nunca fez parte da sua experincia de vida, mas o Mustang 66, que ele teve a oportunidade de ver, quando criana, circulando imponente pelas ruas da sua cidade ou estampado nas revistas da poca, pode ter sido um objeto de desejo da infncia. A metonmia explica a importncia das famosas madeleines 4 lembradas com emoo por Marcel Proust, em sua obra Procura do Tempo Perdido, por terem sido parte de uma experincia emocional de convvio com a me em sua infncia.

    A metonmia tambm importante para criar uma infinidade de projees criativas. Vejamos o seguinte trecho do Werther de Goethe: Retido por uma reunio a que no podia faltar, no fui casa de Carlota.

    Que hei de fazer? Mandei l o meu criado, apenas para ter junto de mim algum que se tivesse aproximado dela. E com que impacincia o esperei! Com que alegria o vi regressar! Deu-me vontade de beij-lo, mas tive vergonha. Conta-se que a pedra de Bolonha, quando exposta ao sol, furtalhe os raios e fica por algum tempo luminosa durante a noite.

    Pareceu-me haver acontecido o mesmo com o meu criado. S o pensar que os olhos de Carlota tinham pousado em seu rosto, nas suas faces, nos botes da sua libr, no seu colete, fez com que ele se tornasse para mim to precioso, to sagrado! Naquele momento, eu no daria o meu criado por 1 escudos.

    Eu me sentia to feliz junto dele! Que Deus no deixe voc rir-se de tudo isto! Wilhelm, no so as vises quimricas que nos tornam felizes? Utilizando a projeo metonmica dos olhos da amada na figura do seu criado, Goethe escreveu esse captulo memorvel. Jos Cndido de Carvalho utilizou tambm a projeo metonmica no incio do seu conhecido romance O Coronel e o Lobisomem: Nos currais do Sobradinho, no debaixo do capoto de meu av, passei os anos de pequenice, que pai e me perdi no gosto do primeiro leite.

    Como fosse dado a fazer garatujaes e desabusado de boca, l num inverno dos antigos, Simeo coou a cabea e estipulou que o neto devia ser doutor de lei: Esse menino tem todo o sintoma do povo da poltica. Para falar na perda dos pais, o narrador em primeira pessoa, na figura do Coronel Ponciano, diz que pai e me perdi no gosto do primeiro leite, fazendo analogia entre o leite e sua me.

    Para criar uma situao humorstica, descreve o menino que fora, por meio de caractersticas que, dentro do imaginrio popular, fazem parte do comportamento dos doutores da lei e dos polticos: escrever garatujas letra ruim e disforme ser desabusado de boca, invencioneiro e linguarudo.

    O texto ficou muito mais criativo e bonito do que se ele dissesse, simplesmente, que tinha ficado rfo logo que nasceu e que o av fez previso de que ele seria, futuramente, um advogado ou um poltico. A projeo metonmica tambm muito usada na poesia, como se pode ver no seguinte poema, composto em Portugal no sculo XV, pelo poeta Joo Roiz de Castelo Branco. To tristes, to saudosos, To doentes da partida, To cansados, to chorosos, Da morte mais desejosos Cem mil vezes que da vida: Partem to tristes os tristes, To fora de esperar bem,.

    ANTONIO REDAO BAIXAR ABREU DE SUAREZ CURSO

    Nesse poema, o autor projeta nos olhos, metonimicamente, sentimentos como tristeza, saudade, cansao e desejo. Quando a projeo metonmica feita pondo foco em uma parte inalienvel de alguma coisa ou pessoa olhos, como no caso desse poema , ela chamada, nos tratados de estilstica, de SINDOQUE. Descreva alguma pessoa que voc conhea a partir de alguns de seus traos particulares: modo de andar, falar, agir, comportar-se.

    Narre a histria do incio do namoro entre uma garota desleixada e um rapaz obcecado por limpeza, descrevendo, para caracteriz-los, o local do encontro entre os dois. Copie alguns trechos de um poema em que o autor tenha feito uso de projeo metonmica.

    Escreva um pequeno poema, utilizando projeo metonmica. Pode ser parte do corpo de algum, uma pea de roupa, uma jia ou parte de um cenrio, como um quadro, uma foto, uma mesa etc. Antnio Damsio, O Erro de Descartes, pp. Idem, p. Plato, Fdon ou da Alma, Dilogos, p. Bolinho em forma de concha. Johann Wolfgang von Goethe, Werther, p. Jos Joaquim Nunes, Crestomatia Arcaica, p. A ortografia foi atualizada.

    Segundo Mark Turner, autor do livro The Literary Mind: the Origins of Thought and Language, a maior parte da nossa experincia e do nosso conhecimento organizada por meio de histrias. Quando pensamos em histrias, pensamos logo em um romance, um conto policial ou, saindo do campo da fico, em histrias envolvendo pessoas reais, em crises polticas, ou em histrias curiosas de povos distantes, como as narradas no Discovery Channel.

    Ningum pensaria que uma pessoa atravessando a rua consiste em uma histria, mas uma pequena histria, uma espcie de marco zero de outras histrias mais complexas. Vivemos uma poro delas durante o nosso dia. Pela manh, h a pequena histria de nos levantarmos, tomarmos banho e fazermos o desjejum.

    Depois, a pequena histria de entrarmos no carro, sair enfrentando o trnsito, e assim por diante. Em nossas pequenas histrias dirias, somos capazes de distinguir objetos de pessoas, um objeto de outro objeto, uma pessoa de outra pessoa.

    Somos tambm capazes de distinguir objetos de eventos. Fazemos isso, porque o processo evolutivo nos ensinou a distinguir objetos de acontecimentos e a reuni-los em histrias.

    Somos acostumados a ouvir histrias desde pequenos. Ouvir histrias foi um dos mais importantes processos de aprendizagem de nossos longnquos ancestrais.

    Em volta, as crianas ouviam, fascinadas, os relatos de sucessos e fracassos, aprendendo as tcnicas de caa, vitais para sua prpria sobrevivncia futura, numa poca em que os seres humanos ainda eram apenas coletores e caadores. Assim como fomos condicionados a fazer projees para criar categorias ou para estabelecer relaes entre partes acessrias de coisas ou acontecimentos importantes e essas prprias coisas ou acontecimentos, fomos tambm condicionados a fazer projees de uma histria sobre outras histrias.

    Para defender a tese do resgate daqueles que se desviaram do caminho, Jesus conta a parbola do filho prdigo; para defender a tese da contribuio de cada um segundo suas posses, Jesus narra a parbola do bolo da viva. No campo da Filosofia, a projeo mais conhecida a parbola da caverna contada por Plato, na Repblica, para salientar a distino entre as miragens que vemos e o.

    Em conversa com Glauco, seu irmo, depois de contar a histria de seres humanos agrilhoados desde a infncia dentro de uma caverna, obrigados a olhar apenas para as sombras projetadas na parede domnio de origem , Plato faz a projeo: Meu caro Glauco, esse quadro continuei deve agora aplicar-se a tudo quando dissemos anteriormente, comparando o mundo visvel atravs dos olhos, caverna da priso, e a luz da fogueira que l existia, fora do Sol.

    Quanto subida ao mundo superior e viso do que l se encontra, se a tomares como a ascenso da alma ao mundo inteligvel, no iludirs minha expectativa, j que teu desejo conhec-la1. As fbulas so tambm parbolas, pequenas narrativas cujo domnio alvo da projeo a vida pessoal de cada um. Vejamos a verso original da conhecida fbula da Raposa e as Uvas de Esopo: Uma raposa faminta viu uns cachos de uva pendentes de uma vinha: quis peg-los mas no conseguiu.

    Ento, afastou-se murmurando: Esto verdes demais. MORAL: Assim tambm, alguns homens, no conseguindo realizar seus negcios por incapacidade, acusam as circunstncias2. Veja-se que, em primeiro lugar vem a histria domnio de origem. Logo em seguida, vem o ensinamento moral domnio alvo que anlogo ao provrbio: Quem desdenha quer baixar. Alis, os provrbios so parbolas condensadas.

    Quando vemos que algum se esfora para conseguir algo e est a ponto de desistir, podemos dizer: gua mole em pedra dura tanto bate at que fura.

    Ao dizer essa frase, fazemos uma projeo cujo domnio de origem o provrbio e o domnio alvo a situao vivida por nosso interlocutor. O objetivo motiv-lo a perseverar em seu intento. Imagine que algum queira redigir um texto defendendo a explorao sustentvel da Amaznia. Poderia dizer, por exemplo, que tanto devastar essa regio de maneira irresponsvel quanto deix-la intocada so um mau negcio e que o ideal seria aproveit-la de maneira racional.

    Mas essa mensagem ficar mais bem gravada na cabea do leitor se, primeiramente, criarmos uma imagem por meio de uma pequena histria, para, depois, projet-la na defesa da nossa tese, como no seguinte texto: Li, em uma revista especializada em automveis, que h alguns milionrios americanos malucos que, tendo comprado uma Ferrari de um milho de dlares, em vez de us-la, colocam-na em exposio, como enfeite, na sala da manso em que costumam receber seus convidados. Quando se fala em preservao da Amaznia, h muita gente que pensa dessa maneira.

    Ora, preservar no quer dizer no utilizar.

    Isso vale para a pesca, a caa, a preservao da flora etc. Concluindo: preservar seguir apenas aquela mxima antiga que diz: ratio est in media res. A razo est no meio da coisa. No primeiro pargrafo, temos a histria dos milionrios excntricos que compram Ferraris apenas para exp-las na sala de estar. No segundo, a projeo dessa histria sobre o tema.

    O resultado um texto com um poder muito maior de atrair o leitor. Em uma de suas crnicas, Nelson Rodrigues narra, primeiramente, uma experincia de infncia num processo de premiao em exposio de gado: A nossa modstia comea nas vacas.